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Dom | 13.10.19

Opinião | Demência

ivy hurst

5stars

Alô!

Trago-vos hoje a opinião do livro Demência, da autora Célia Correia Loureiro. Quero agradecer à Cristina (do blog Linked Books, que também tem canal no Youtube e conta no Instagram) e à Silvéria (podem encontrá-la no Youtube e Instagram) pela iniciativa "Demência on the road", que fez com que este livro passeasse por Portugal, para que as mais variadas pessoas o pudessem ler. 

Fiquei muito contente quando me apercebi que tinha chegado a minha vez. Recebi-o na quarta-feira passada (dia 9 de Outubro) e retirei tudo do envelope com a maior das alegrias. A maior das alegrias, confesso, foi quando vi o miminho que a Andreia (Conhecida pelo blog "Nunca Li", no Instagram). Era algo que eu há já uns tempos queria mas ainda não tinha encontrado por aqui, e também ainda não tinha mandado vir da Wish.

 

Obrigada, Andreia! Amei o miminho!

Agora, passemos ao livro em si. Começo por vos deixar aqui a sinopse do mesmo.

Sinopse:

Numa pequena aldeia beirã, duas mulheres de gerações diferentes leem o seu destino nas mãos de um mesmo homem: Letícia foi vítima de um marido ciumento e manipulador, e Olímpia é a mãe extremosa desse agressor.

Mas quando Letícia regressa para assistir Olímpia, aos primeiros sinais de demência, os traumas que traz na bagagem ameaçam estilhaçar o silêncio conivente dos aldeões. Ainda que ostracizada, Letícia esforça-se por esquecer os tumultos do seu casamento, enquanto Olímpia pede ajuda ao amigo de infância, Sebastião, para reconstruir as próprias memórias e entender o que se passou com o seu único filho.

Demência traz-nos, através das vivências destas duas mulheres, a dura realidade de um Portugal rural e ainda tendencioso, e faz-nos repensar o significado de família e de comunidade, de inocência e de culpa.

 

Vou-vos ser extremamente sincera ao dizer que estava com muito receio de ler este livro. A dada altura, talvez quando esta edição saiu, comecei a ver imensa gente a falar do livro, e praticamente toda a gente dizia muito bem do mesmo. Agora, digamos que quando quase toda a gente diz o mesmo, criam grande hype à volta de algo e tudo mais, eu acabo por ficar de pé atrás. Já aconteceu noutras circunstâncias eu não gostar como a maioria das pessoas e depois sentir-me um pouco a "ovelha negra da comunidade". Estava com receio de comprar o livro, não gostar nada, e depois ficar com ele ali na estante e sentir-me "zangada" por gastar dinheiro com algo que de início já achava que não ia gostar.

 

Por isso, quando vi esta iniciativa, fiquei extremamente contente. Assim, eu ia puder ler o livro, dar a minha opinião e passá-lo à próxima pessoa. Melhor de tudo, não me sentiria mal se de facto não tivesse gostado. E o único dinheiro que ia gastar, seria para enviar o livro para a pessoa seguinte. Assim sendo, inscrevi-me mal pude e esperei a minha vez.

Pensei para mim mesma: vou tentar despachá-lo o quanto antes, pois sei que se me deixo andar, vou demorar imenso, ficar nervosa com a aproximação do final dos 30 dias e ler à pressa quando podia ler com calma. Como disse, recebi-o na quarta, dia 9. Coloquei a mim mesma o desafio de ler 50 páginas deste livro todos os dias, e que não iria ficar um dia sem o ler só por não me apetecer. 50 páginas na quarta, 53 na quinta, e tanto na sexta como no sábado (dia em que vos estou a escrever isto, depois de ter terminado o livro) li bem mais de 100 páginas.

 

Sendo um livro com temas tão pesados e com páginas tão ricas de linhas cheias, fiquei com receio e julguei que iria demorar, talvez, uma ou duas semanas. Mas não... Gostei tanto da história que estava sempre a querer ler mais, saber mais sobre o que tinha acontecido e o que mais iria acontecer. Devo também dizer que acho que foi a primeira vez que me senti afetada, de certa forma, pela história de um livro. Neste livro, é muito fácil sentirmo-nos bastantes zangados com situações que muitas vezes nos parecem impossíveis de acontecer, mas que acontecem mesmo.

 

Via muita gente a dizer que não entendiam como alguém tão novo tinha escrito algo assim, e ainda por cima escrito tão bem. A dada altura, confesso, julguei que a maioria estava a dizer coisas bonitas e que quando eu fosse ler não iria concordar. Ainda bem que me enganei. Estou tão contente por ter lido mais um livro que me surpreendeu, completamente, pela positiva. Parece mentira, ficamos todos estupefactos como alguém com uns 18/20 anos escreve assim tão bem uma história tão real, tão do povo, tão bem. Acreditem que, se eu não tivesse visto a entrevista que a Dora fez à Célia, e não soubesse através da mesma que ela escreveu este livro nessa idade... Eu nunca na minha vida diria que tinha sido escrito por alguém nessa faixa etária.

 

O livro é realmente muito bom. Confirmo agora que de facto as pessoas tinham razão quando diziam isso, quando se admiravam com a escrita fantástica da Célia e com toda a história que ela escreveu. Dei 5  a este livro e acreditem que são estrelas bem gordas. Vindo isto de alguém que estava com medo de ler a história e de discordar de tudo e todos... Fiquei muito curiosa para ler os restantes livros da autora, confesso.

A única coisa que tenho a apontar neste livro, é apenas o facto de que achei que o livro tinha muitas páginas para o livro intenso que é. Mesmo assim, entende-se perfeitamente porque o é, e senti que ao mesmo tempo isso é bom. Tudo ficou bem explicado e não sentimos, no fim, que ficou algo por contar. Talve eu apenas ache que tem muitas páginas porque li imenso nos últimos dois dias... Ahaha.

Recomendo-vos vivamente este livro! 

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